Notas no baixo acústico. Onde elas estão? Onde elas dormem? O que comem?

Eis que você consegue o tão sonhado baixo acústico! 

Conseguiu comprar o instrumento que estava sonhando há tempos, ou conseguiu um baixo emprestado pra ver se vai comprar mesmo esse trambolho.

A cabeça pensando: “Agora vai! Minha agenda vai bombar! O baixo acústico vai ampliar a minha participação no mercado e com isso vem mais shows, mais grana e mais contatos profissionais…Maravilha!”

Mas daí, ao pegar o instrumento você se dá conta que não tem traste nenhum, não tem nada que te dê referência das notas em lugar nenhum do braço…

Mas então como é que funciona esse “trem?”, como dizem lá em Minas.

Mas é tão diferente assim do baixo elétrico?

Antes de falar sobre o baixo, preciso dizer que realmente tocar baixo acústico vai te abrir muitas portas. 

Primeiro porque ele é sim um instrumento diferente. 

Apesar de ter as mesmas cordas, com a mesma afinação do baixo elétrico, a posição do instrumento em relação ao nosso corpo é totalmente diferente e isso muda a técnica envolvida pra se usar a mão direita e também a mão esquerda.

Segundo, tocar baixo acústico vai te abrir mais portas porque muita gente prefere o baixo acústico ao baixo elétrico. Na grande maioria das vezes por conta do timbre, mas algumas vezes somente pelo visual do instrumento, sim, isso acontece.

Terceiro, o baixo acústico vai te abrir mais portas também porque ele vai te ajudar a tocar melhor o baixo elétrico e vai te obrigar a entender melhor sobre a formação dos acordes e das escalas, pois somente seguir o desenho das escalas não vai funcionar tão bem neste instrumento.

Mas enfim,  por onde começo pra tocar este instrumento então?

Diferentes Metodologias

Pra facilitar o entendimento e a localização das notas no espelho do baixo, foram escritos ao longo dos anos, vários métodos de ensino de contrabaixo e vários baixistas vêm buscando estratégias diferentes para se dividir o braço do instrumento. 

Essa divisão é chamada de posição, ou seja, o braço do instrumento é dividido em posições.

Como existe mais de uma escola ou sistema de divisões, alguns pensam o baixo de forma diferente de outros. Sempre em posições, mas determinadas escolas dividem em mais ou menos partes.

As duas principais escolas são a do Simandl e a do Rabath.

Quem?

Resumo das escolas

A escola do Franz Simandl (este cara aqui) divide o espelho do instrumento em mais posições. 

São 13 posições, sendo que ele considera a região aguda, onde usamos o capotasto ou thumb position, como somente uma posição. 

Essa região começa a partir da nota sol que fica situada onde seria a 12ª casa na corda sol do baixo elétrico.

Seu método de ensino vai “subindo no braço” do instrumento de meio em meio tom (de casa em casa, se fosse no baixo elétrico).

O Rabath (este cara aqui), por outro lado, divide o espelho em seis posição ao todo, utilizando do pivô com o polegar para navegar dentro de cada uma dessas posições. 

Qual devo escolher?

Como eu não tive formação erudita. Eu comecei tocando baixo elétrico e estudei baixo acústico com mais de um professor e com mais de uma metodologia, ninguém me “catequizou” numa escola específica, e no final das contas eu misturo o que funciona melhor pra mim dentro dessas escolas.

Eu gosto de pensar o braço como o Simandl propõe para ensinar. Facilita muito a afinação, e deixa os dedos mais no lugar. 

Ao mesmo tempo eu utilizo muito do que o Rabath propõe como músico profissional. 

O que significa que o Rabath pode ajudar muito um baixista com algum conhecimento do braço do instrumento.

Sendo assim, eu penso que o ideal é misturar as duas escolas e utilizar o que ambas tem de positivo no seu estudo diário.

Mas se por acaso seu professor decidir por uma delas, acredite nele. Investigue a razão disso com ele, mas acredite no que ele acha mais positivo pra você.

Alguma dúvida? Achou que faltou alguma coisa?

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6 Problemas Que Podem Te Atrapalhar no Baixo Acústico

Uma das grandes diferenças do baixo acústico para o baixo elétrico é a maneira como lidamos com a mão esquerda.

Desde o surgimento do baixo acústico as escolas que estudam este instrumento tratam de diferentes maneiras tudo que envolve este instrumento.

Mas uma unanimidade entre elas é que ao invés de usar os 4 dedos da mão esquerda  (indicador, médio, anelar e mínimo), são usados somente 3 dedos (indicador, médio e mínimo ou indicador, anelar e mínimo, depende da escola).

Lembrando que o polegar está atrás do braço, então não está sendo levado em conta (em certas regiões do instrumento ele será utilizado – e muito -, veremos mais detalhes quando chegar o assunto Capotasto ou Thumb Position, fique ligado).

Mas por que?

Primeiro porque a distância entre as notas é grande demais, e nem todos tem as mãos grandes o suficiente para cobri-las. Então, a utilização de menos dedos e a movimentação da mão toda ajuda muito a se evitar lesões – nas costas, nos braços, nos ombros -;

Segundo, subdividindo o espelho (ou braço) do baixo em posições, é muito mais fácil de se afinar. E as posições foram todas divididas com 3 notas por posição.

Dito isso, quais são então estes 6 pontos que devemos ficar atentos?

1) Não tocar com as digitais dos dedos, mantendo os dedos retos

É sempre importante estar confortavel ao se tocar o baixo acústico. E ao posicionar a mão esquerda no braço do baixo acústico é importante manter o arco que é formado naturalmente quando estamos com a mão relaxada. 

Com a mão relaxada, sem fazer força nenhuma com as articulações dos dedos acabamos apertando a corda com as digitais, o que é o ideal! Tirando um som muito melhor do baixo. E mantendo a saúde das costas, do braço, do ombro… Enfim, vai nessa!

2) Cotovelo muito baixo

É muito importante manter o cotovelo levantado. Não muito alto, numa medida em que não haja curvatura na mão ou no ombro. Tudo tem que estar alinhado, pra você não se machucar. Então é preciso manter um arco desde o ombro até a ponta dos dedos, e o cotovelo deve estar levantado para isso.

3) Dedos levantados

Devemos sempre manter os dedos pressionando as cordas. 

Ao tocar notas com o dedo 4 – anelar – é essencial ficar atento pra não levantar os dedos anteriores. Caso isso aconteça, além de machucar as suas costas e a sua mão, vai dificultar muito a afinação. 

Quando você levanta os dedos as notas “somem”. Você perde a referencia que já tinha com os dedos pressionando seus devidos lugares no espelho.

Outro problema é que isso dificultará muito suas passagens mais rápidas, pois os dedos ficarão longe do braço. É uma distância desnecessária que você tem de cobrir pra chegar na nota.

4) “Escorregar” os dedos para junto do dedo 4

Esse problema é parecido com o anterior, mas ao invés de levantar os dedos 1, 2, 3 você estaria escorregando os dedos para se juntar ao dedo 4. 

NÃO faça isso! 

Pelas mesmas razões do erro anterior: as notas “somem”. Você perde a referência das notas e isso facilita para que você toque desafinado. 

Além de uma distribuição errada da pressão da mão, o que começa com dores e pode levar a um problema da coluna ou no braço, enfim… Evite.

5) Posicionamento errado do dedão = “choke the chicken

Assistindo a um vídeo do grande baixista John Clayton, que tocou, dentre vários artistas importantes, com a Diana Krall.   Nesse vídeo aqui, ouvi ele utilizar a expressão “Choke the Chicken”. Mas o que ele quer dizer com isso?

Neste vídeo ele fala sobre uma conversa do Ray Brown com o Milt Hinton – inclusive, este são dois baixistas que você tem a obrigação de investigar, caso ainda não os conheça (esses 3, com o John Clayton). 

Enfim, nessa conversa eles falavam sobre os baixistas que tocavam como se estivessem “choking the chicken”, como se estivessem enforcando o frango.

É quando você segura o baixo de forma errada, apertando o braço. Como se enforcasse um frango. 

Nesse vídeo o John Clayton disse uma coisa que me tranquilizou, pois já aconteceu comigo e provavelmente já aconteceu ou irá acontecer com você.

Algumas vezes quando você está tocando, especialmente numa canja onde você é o único baixista, acontece de uma mesma música ficar um tanto longa demais, e isso acaba cansando muito. 

De repente você relaxa um pouco o braço, desce o cotovelo e abraça o braço do instrumento um pouco de qualquer jeito e “choke the chicken”.  

Não é pra se culpar, mas você deve sempre se lembrar de posicionar corretamente o polegar atrás do braço, mantendo o arco dos dedos e pressionando as cordas com as digitais de cada um deles. 

6) Posicionar os dedos em paralelo as cordas

Isso pode acontecer, principalmente se você deixar o seu cotovelo cair um pouco. 

Você deve ficar atento para que os dedos estejam sempre perpendiculares as cordas. Vai trazer um som melhor e cuidar melhor da saúde das suas costas, braços e mão.

Enfim, são estes os problemas que você deve ter bastante atenção.

Cuide para que não aconteçam para melhorar seu som, sua afinação e manter a sua saúde em dia!

Confira este conteúdo em vídeo, clicando AQUI

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Mão direita no baixo acústico – 1 dedo, 2 dedos ou 3 dedos?

Neste texto eu vou falar um pouco mais sobre a mão direita no baixo acústico e sobre algumas técnicas diferentes que alguns baixistas usam e que você pode usar para melhorar a sua sonoridade e sua técnica.

Como é de se esperar, algumas pessoas usam técnicas diferentes para se tocar o baixo acustico.

Por termos tamanhos diferentes, nossas mãos são diferentes de pessoa pra pessoa, o que pode influenciar bastante nas escolhas e na postura de cada um.

E muitas vezes as técnicas usadas são diferentes por conta de expectativas diferentes.

Como assim?

Cada um tem uma referência de som na cabeça, cada um ouviu um baixista mais que outro, e até gosta mais de um tipo de som e detrimento de outro. O que é normal.

Então essa busca pelo som ideal é muito particular.

Mas o que eu posso dizer, e que eu vou insistir muito, é que o ideal é sempre tocar de forma confortável, o mais natural possível. 

Sem posições esquisitas, com os ombros baixos, as costas dobradas, joelhos dobrados ou cintura torta… Quanto mais perto da sua postura natural melhor.

Então, eu vou falar de 4 possíveis técnicas de mão direita.

1) Tocar somente com o dedo indicador

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Charles 🇵🇭

Essa técnica ficou conhecida e foi muito imitada, porque um dos grandes baixistas de Jazz de todos os tempos a utilizava.

Estou falando do Ray Brow, um cara que tocou com todo mundo, todo mundo mesmo, do Jazz. Este cara aqui, caso você ainda não conheça.

Basicamente você deve apoiar o seu dedo indicador na corda que deseja tocar e soltar o peso do braço deixando o dedo parar na corda seguinte.

Eu gosto dessa técnica porque o seu som fica bem equilibrado. E sempre gordo, bonitão.

2) Indicador e Médio Juntos

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Sai Kumar

A próxima técnica é bastante usada pelo baixista Ron Carter – outra lenda. Procure saber mais sobre ele aqui.

Funciona assim: você vai usar os dedos indicador e médio juntos. Utilizando o mesmo princípio da técnica anterior: você vai sempre soltar o peso do braço e apoiar o dedo na corda seguinte.

Mas os dedos estão sempre atacando juntos as cordas.

3) Indicador e Médio Intercalados

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Priscilla Du Preez

E você pode usar os dois dedos intercalados também, ambos tocando individualmente as cordas.

É a técnica que estamos habituados a usar no baixo elétrico.

No baixo acústico essa técnica facilita muito para tocar duas cordas diferentes, principalmente se forem ascendentes.

Por exemplo: você vai tocar duas notas, a primeira está na corda Lá e a segunda na corda Ré. Utilizando essa técnica você tocaria a corda Lá com o dedo médio e a corda Ré com o dedo indicador. 

Essa técnica é mais fácil para tocar passagens mais rápidas, pois você tem os dois dedos atuando separadamente.

4) 3 Dedos da Mão Direita

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Florencia Viadana

A quarta técnica que acho bem interessante é usar 3 dedos da sua mão direita. Isso mesmo, três dedos.

Você vai usar seus dedos indicador, médio e anelar.

O baixista que ficou famoso usando esta técnica no baixo acústico foi o Niels Henning Orsted Petersen. Puuta baixista! O cara tocava muito rápido!

Confere aqui ele tocando Donna Lee… (se prepara que o bicho pega).

Enfim, ele usa 3 dedos da mão direita, assim como alguns baixistas do rock. 

O NHOP tocava usando a seguinte ordem: anelar, médio, indicador, anelar, médio, indicador… Ou seja, ele começava sempre no mesmo lugar. 

Mas você pode misturar, fazendo da seguinte forma: anelar, médio, indicador e então voltar para o dedo médio. 

Se você quiser praticar esta técnica, procure o jeito que faça mais sentido pra você e manda bala!

Tocar baixo elétrico pode ajudar?

E você pode ainda, apesar de eu sempre advogar o oposto, tocar com a mão mais na perpendicular em relação as cordas. Como se fosse estivesse tocando o baixo elétrico.

O som vai ficar um pouco mais magro, mas é mais fácil de tocar passagens mais rápidas. 

MAS eu insisto muito que baixo elétrico e baixo acústico são diferentes! E trazer essa técnica do elétrico para o acústico resulta num som bem mais magro, além de sua postura não ficar tão correta, ou até desconfortável mesmo.

Dica muito importante 

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Rowen Smith

Outra coisa importante para se prestar atenção é na região do espelho onde você deve apoiar a mão direita. 

Se você apoiar a mão mais pra cima do espelho, mais perto do corpo do instrumento, o som fica mais “aveludado”, mais leve um pouco. 

Assim como no baixo elétrico, quanto mais perto do corpo mais “macio” vem o som. 

Então pra coisas mais lentas e melodias bonitas e calmas é mais interessante tocar com a mão nessa região.

E mais pra baixo, perto do cavalete, o som vem mais ‘agulhadão’, com mais ‘punch’. O que também será muito importante quando você precisar de mais volume e de maior clareza nas suas frases.

Enfim, como o objetivo final é Fazer Música, o ideal é você conhecer estas técnicas e investigá-las no seu instrumento. 

Quando a hora chegar você terá uma gama maior de opções para escolher e utilizar no contexto em que estiver tocando.

Alguma dúvida? Achou que faltou alguma coisa?

Fiz esse vídeo AQUI falando sobre este assunto, confere lá!

Me escreve aí!